equação.

espacialmente era uma. não havia indícios de sua presença em qualquer outro ambiente a não ser o presente banheiro, o que confirmava a suspeita.

ao entrar em casa, não deixou os artifícios de mulher, bagagens de dia a dia em seus lugares costumeiros. foi, num passo só, da porta ao banheiro, como havia feito do ônibus ao portão de casa e da farmácia ao ponto de ônibus.

substancialmente era uma.havia provas, principalmente agora, que as anfetaminas começavam a fazer efeito e ela passara a se sentir digna de novos jeans, uma unidade de força feminina cheia de rebolados número 40.

a investigação se fazia clara. em todas as direções, nada apontava a possibilidade e ela ter um reflexo ou uma desmembração andando por aí, vivendo uma vida em seu nome. era uma.

a questão era: por que ela, sentada ao vaso com a bolsa entreaberta e de calças nos joelhos, encarando um filete de papel encharcado de sua urina se perguntava agora como seria possível tornar-se duas?

~ por Amanda Mantovani em 9/março/ 2011.

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